O início

Deus tem me incomodado de forma muito particular quando eu penso que a responsabilidade dos meus filhos é minha! 
Eu nasci em berço cristão. Meu meu pai é pastor. Minha mãe sempre ficou em casa com a gente desde criança. Eu sempre fui estimulada por meus pais a estudar, e, tinha muita facilidade para aprender as matérias da escola. Desde sempre estudei em escola pública e, há 10 anos atrás apesar de muitas dificuldades, ainda era bem melhor que hoje.
Eu sempre sentia que perdia muito tempo na escola (isso mesmo! Perdia tempo na escola!), e preferia estudar em casa, sozinha. Não quero tirar o mérito de alguns – poucos – professores, mas como disse, poucos.

Fiz um ano de cursinho popular e passei na faculdade de Medicina. Estudei de 2007-2012.

Conheci meu marido em 2009, quando estava no terceiro ano da faculdade e, após dois anos e meio de namoro, nos casamos. Entrei na residência de Clínica Médica e o combinado entre nós era ter nosso primeiro filho em dois anos. Engravidei faltando 5 meses para me formar em Clínica Médica e logo depois comecei a residência de nefrologia, no mesmo serviço onde eu fiz Clínica Médica. O hospital era mais ou menos há uma hora da minha casa, de maneira que quando voltei a trabalhar, o Davi (que tinha 4 meses) ficava com a minha mãe e, muitas vezes em alguns estágios, eu passava 14 horas por dia longe dele.
Após 2 anos do final da residência de nefrologia, engravidamos do Daniel, nosso segundo filho (hoje com um ano e meio). Na gravidez do Daniel, Deus começou a mudar o meu coração de forma que percebi que a minha mentalidade como mulher Cristã era totalmente não Cristã. Eu sabia o conceito de submissão e concordava com os termos bíblicos, mas na prática eu vivia como se meus filhos não tivessem que ser responsabilidade minha. Eu vivia como se qualquer pessoa pudesse fazer o trabalho que eu estava me negando a fazer.

Quantas vezes eu me justificava (mentalmente) dizendo: se Deus permitiu que eu passasse no vestibular de medicina e nas provas das especialidades que eu queria, era porque Ele me queria mais nessa profissão do que como mãe! Ao mesmo tempo eu não pensava que “Se Deus me deu filhos, é porque eu tenho que Criá-los”.

Ok! Eu comecei a entender isso (o que Deus queria de mim como mulher, esposa e mãe), maaaas eu não estava disposta a mudar! Gostava demais do status e do orgulho que a minha profissão me trazia! Sabe aquele sorriso de canto que dava quando alguém fala: (Olha fulano, Ela é MÉDICA!). Eu sabia que precisava mudar, só que eu não queria!
Tive que começar a orar: “Deus, transforme o meu coração para que eu aprenda a gostar do que eu DEVO fazer”.

A mudança foi acontecendo aos poucos. Inicialmente parei os meus plantões de segunda e sexta porque tinha um mestrado a fazer. Só que isso não era suficiente! Porque mesmo assim eu passava menos tempo que queria com meus filhos (olha como Deus começou a mudança! Eu ).
Comecei um curso para mulheres na igreja que eu já queria fazer desde o ano passado; nesse curso temos falado muito sobre devoção e sobre o que Deus quer para nossa vida. Um dos pontos que a professora Flávia abordou foi sobre a necessidade de estarmos em casa com a nossa família. Novamente a minha oração foi para que Deus mudasse o meu coração e os meus gostos para que eu fizesse aquilo que eu deveria fazer sem que fosse um peso. Eu não queria fazer com a disposição de que “tem que fazer”. A resposta dessa oração foi respondida duas semanas depois; os plantões que eu dava começaram a ficar entediantes (e eu amava!), e ainda ganhei uma reclamação injusta de uma das minhas pacientes na mesma época!

Nessa mesma época tivemos um problema familiar que confrontou a educação que queremos dar a nossos filhos. Eu sabia que a culpa era minha; eu sabia que se eu permanecesse mais tempo com os meus filhos a minha influência seria muito maior; e isso começou a tocar o meu coração. 
O livro que mudou muito meu modo de pensar como família e a sua relação com a igreja foi o livro: Família Guiada pela Fé (Voddie Baucham). Esse livro aborda muito mais do que a essência da educação ou do contexto “Marido e mulher”. Ele avalia como Deus deve estar em primeiro lugar e a partir daí todas as coisas vão se encaixar da forma que Ele quer. Dessa forma, comecei a pensar o quanto estava valorizando a rotina e os costumes que muitas vezes não eram bíblicos e o mais importante era que eu estivesse em casa mesmo. Que tudo bem se eu não fosse à igreja por um deles estar doente (eu sou mãe), tudo bem que não vou conseguir emendar as programações das várias sociedades da igreja (eu sou mãe).
Eu não podia passar minha vida inteira insatisfeitas no trabalho por não poder dar tudo de mim e ao mesmo tempo insatisfeita como mãe por não poder dar tudo de mim; eu tinha que fazer uma escolha. 

Voltando à minha preocupação de ser influência na vida dos meus filhos, iniciei a leitura de Ensinando o Trivium, da Editora Monergismo. Como família, já tínhamos começado um processo de colocar Deus no centro da nossa vida (intencionalmente); eu tinha voltado a fazer minhas devocionais matinais de madrugada, estávamos fazendo o culto domiciliar rotineiramente e vendo a diferença disso na vida de nossos filhos. Dessa forma, me senti chamada para essa missão de educar os meus filhos em casa. O meu questionamento era: como eu poderia ensinar aos meus filhos a Bíblia e a viver com Deus de forma melhor do que a escola e os coleguinhas dele irão ensinar? Se eles ficassem mais da metade do tempo produtivo deles na escola essa tarefa seria muito mais difícil.

E no meio de tudo isso conhecemos o pastor René numa programação da igreja (nem era relacionada a crianças) que fazia educação domiciliar com seus filhos. Ele indicou mais várias fontes (físicas e pela internet) para que pudéssemos estudar melhor esse assunto.
Meu primeiro questionamento foi sobre as legalidades do método. Eu moro no Brasil e aqui a educação domiciliar não é legalizada, apesar de não ser proibida; logo, se não era proibida, não era crime e não havia motivo de eu não realizá-la.

Eu sinceramente não acho que todas as famílias têm condições de fazer educação domiciliar. Educação domiciliar é realmente um estilo de vida. E eu acredito que Deus trabalha de formas diferentes em famílias diferentes.

Estamos no primeiro semestre de 2019 e decidimos aguardar esse ano para nos preparar. É um preparo e tanto! Situação financeira a ajustar, obtenção de conhecimento sobre o assunto, escolha do material.
A nossa oração é que Deus nos encha da sua sabedoria, e coloque em nosso coração humildade e temor a Ele. Queremos honrar o nome dele com nossas vidas e cumprir nosso papel como pais cristãos na vida dos nossos filhos.

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